Só uma escapadinha… Liga, não.

Hábitos são como amores. A melhor maneira de esquecer um, é por outro em seu lugar. Diferentemente do processo de substituir amores, porém, o de substituição de hábitos ocorre sem deliberações conscientes, sorrateiro e imperceptível. Quando se nota – se é que se nota -, um já foi e há outro em seu lugar. Sem sofrimento, sem saudades. Em alguns casos, só se percebe o novo, sem a mínima consciência de que hábitos foram descartados. Acontece com você, aconteceu comigo. Telefone celular, tablet, laptop, Internet, Facebook, WhatsApp, Twitter, nada disso fazia parte dos meus hábitos de 15, 20 anos atrás, mas fazem hoje. O estranho é que, apesar de terem encontrado meus dias integralmente ocupados, todos acabaram conseguindo espaço para se instalar. Tempos depois, ocupavam boa parte dos meus dias, sem que eu soubesse que hábitos descartara para poder acolhê-los. E se não sei, não fazem falta.

Recordo-me, porém, de um hábito (quase extinto) que reluto em abandonar: ouvir meus bolachões. Noventa e nove por cento das músicas que ouço vêm de CD, DVD, Blu-ray, TV, shows e, principalmente, de tocadores de MP3, mas a vitrola continua lá, firme em seu cantinho. Deixei de comprar discos de vinil há muito tempo, porém não descartei nenhum. Ícones de uma época saudosa, dos quais não pretendo abrir mão.

E venho percebendo que outro dos meus hábitos-paixão está sob ameaça. Ler. Ler em livros de papel, palpáveis, dobráveis, rabiscáveis. Livros que, antes de encantarem pelo conteúdo, encantam pela forma, pela textura da capa, o toque aveludado das páginas, o peso sentido. Pela presença física e, talvez, até pelo sentimento de propriedade que desperta. É meu! Um hábito muito caro para mim (caro em sua conotação ampla) e que pretendo manter. Mas quem seria capaz de resistir por muito tempo à praticidade dos e-readers?

Os dispositivos eletrônicos de leitura chegaram ao Brasil como quem não quer nada e, devagarzinho, foram reclamando seu espaço. Mas eu resisti. E acreditei continuar resistindo, até que percebi um Kindle em minha vida. Explico: por conta de ter lançado um livrinho como e-book, achei-me na obrigação de, pelo menos, baixar o app do Kindle em meus dispositivos. Como são gratuitos, aproveitei e baixei no desktop (sim, eu ainda uso um!), no tablet, laptop e celular. Ok. Missão cumprida, deixei os aplicativos para lá. Algum tempo depois, porém, vi o anúncio de um e-book interessante e resolvi comprá-lo. Na livraria virtual, a primeira surpresa: o preço do e-book era uma fração de sua versão em papel, baratíssimo. Baixei. Aí, outra surpresa: o mesmo e-book foi baixado em todos os meus dispositivos. Não dei muito valor a isso, já que pretendia ler apenas na tela grande do desktop. Até que um dia, enfadado na sala de espera (espera, mesmo!) de um consultório, lembrei-me do aplicativo do celular. Pronto! Em vez das revistas velhas e ensebadas do consultório, estava ali o meu livro. Digital, sim, e em tela pequena, mas era a leitura que eu queria. Depois disso, passei a prestar mais atenção ao Kindle e descobri inúmeras ocasiões de utilizá-lo: fila do banco, da lotérica, do restaurante, metrô, ônibus, trânsito congestionado… São Paulo é pródiga em fornecer momentos para leitura. E, como eu nunca me lembro de levar comigo livros tradicionais, são os e-books que me salvam do tédio. É assim que a leitura eletrônica vem tomando espaço em minha vida. Mas repito: jamais abandonarei meus livrinhos de papel. Jamais!

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