Madame Bovary, uma joia da literatura

Publicado em 1856, Madame Bovary causou enorme escândalo, chegando inclusive a levar seu autor, Gustave Flaubert, às barras da justiça, sob a acusação de ofender a moral e a religião. Como as polêmicas costumam ser o combustível mais eficiente para impulsionar o motor da curiosidade, o livro tornou-se um best seller instantaneamente.

Inovando pela crueza com que tratava o clero e a burguesia, Flaubert conduziu suas personagens pelo então proibido tema do adultério, enquanto transitava rapidamente por outros, tais como o consumismo exagerado, a usura e o descontrole financeiro, as incongruências na religião e a hipocrisia dos relacionamentos, temas que hoje não despertariam maior atenção, mas que, na época, causaram furor e fizeram de Flaubert um escritor conhecido no mundo todo, porém por razões equivocadas. Os temas abordados por ele em Madame Bovary foram certamente as menores de suas inovações.

Com Madame Bovary, Flaubert foi considerado o inaugurador do realismo, título que, embora recusado com veemência, lhe coube muito bem. Foi sua obra que, pela primeira vez, fez uso do tempo psicológico (dando a conhecer ao leitor o que ia na cabeça das personagens) e deixou de lado as personagens apenas idealizadas – onde se era ou todo bom ou todo mau – para construí-las com a simultaneidade de virtudes e defeitos própria das pessoas reais. Isso, entretanto, não quer dizer que a história transita pelo realismo do começo ao fim. Observando com cuidado, pode-se encontrar nela situações que fogem um pouco da verossimilhança e da plausibilidade, e que poderiam remeter ao estilo até então em voga, o romantismo. Polêmicas à parte, o fato é que Madame Bovary transformou-se em marco na literatura mundial e influenciou grandes escritores, tais como Eça, Tolstói e Machado de Assis. E isso não é pouco.

O romance trata de uma mulher bela e sonhadora que, na França pré-napoleônica, casa-se por conveniência com um médico medíocre e insípido e, descontente com a vida que leva, busca no adultério a realização de seus sonhos de felicidade.

É um livro que pode ser lido e apreciado com olhar ingênuo – como a própria Emma Bovary, a protagonista, o faria -, apenas deixando-se encantar pela trama e pelas ações das personagens, mas que revela toda sua beleza – e a maestria do escritor – quando lido criticamente, descrição por descrição, cena por cena (aliás, a montagem da história em cenas foi também uma inovação introduzida por Flaubert). Um livro que levou cinco anos para ser escrito merece uma leitura cuidadosa, sem pressa. E o leitor só teria a ganhar demorando-se em suas passagens. Afinal, não há nada melhor que o prolongamento de um prazer.

Gustave Flaubert nasceu em Rouen, na França, em 1821, e faleceu em 1880. Escreveu peças teatrais, contos e romances, dentre eles “A educação sentimental” e “Salambô”.

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O livro Madame Bovary pode ser encontrado em qualquer livraria, em diversos formatos. Abaixo, link para uma edição em papel na livraria virtual da Amazon brasileira:

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2 comentários em “Madame Bovary, uma joia da literatura

  • 27/03/2017 em 23:11
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    Prezado Osmar,
    Seu post é rico na síntese em traduzir para o leitor um ícone como este em uma prosa, como se diria, sem romantismo “curta e objetiva”, em tempo q o tempo custuma ser raro! Adorei! Obrigada e parabéns pelo poder da síntese!

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    • 28/03/2017 em 10:41
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      Talvez o romantismo, no meu texto, tenha sido deixado de lado por influência do realismo flaubertiano (ainda que incipiente) experimentado na releitura do livro… Obrigado pela gentileza de seu comentário!

      Resposta

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