Jekyll e Hyde, o bem e o mal na literatura

Cento e trinta anos depois, não há quem não conheça a estória do médico que, ao tomar uma poção por ele criada, transforma-se em um ser malévolo, um monstro. A propósito, “O médico e o monstro” é a versão de título mais adotada no Brasil para a obra de Stevenson – originalmente intitulada “The strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde”. Filmes, séries de TV, desenhos animados, estórias em quadrinhos, muito já foi criado tendo esse livro como base. Uma obra atemporal e um fenômeno de popularidade, sem dúvida.

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Bem ou mal? Depende do ponto de vista.
Carcarás e colibris: uma história brasileira. Leia a sinopse em:

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A trama é uma espécie de fábula, mesclada com história de mistério e de detetive, onde um médico bonachão, o Dr. Jekyll, de vez em quando se projeta em um indivíduo malévolo e brutal chamado Hyde e, sob essa personalidade, comete vários crimes. Trata-se da mesma pessoa, no entanto a natureza de Hyde concentra apenas a maldade humana presente em Jekyll e isso o faz diferente fisicamente. Durante algum tempo, a transformação é revertida com facilidade e ele volta à personalidade original de Jekyll, porém a parte boa de sua natureza vai gradativamente se enfraquecendo e a reversão se dificultando, até que ele começa a ter problemas com a poção.

Stevenson (também autor do conhecidíssimo “A ilha do tesouro”) utiliza em “O médico e o monstro” vários recursos literários – imagens, entonações, sequências de palavras, pistas falsas – na edificação gradual de um ambiente propício à apresentação com naturalidade da estranha transformação do personagem principal, tornando-a uma realidade artística e aceitável. Conduzido com habilidade pelo autor, o leitor invariavelmente alcança um estado de espírito em que não questiona se aquela metamorfose é realmente possível ou não.

Além do tema sobre o bem e o mal que coexistem em cada um, Stevenson, ao escrever, mostra o propósito artístico de fazer com que um drama fantasioso se desenrole diante de homens comuns e dotados de bom senso; e ele conseguiu. O livrinho não poderia ser definido apenas como uma “boa história de terror” – como Stevenson chegou a dizer -, mas como um fenômeno estilístico que arrebatou milhões de leitores ao longo do tempo e que levou críticos a considerá-lo “uma fábula mais próxima da poesia que da prosa comum”. Uma obra que merece leitura atenta.

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Se preferir assistir ao filme (com uma das versões de O médico e o monstro)…

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